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Quais são as cidades com mais roubos de celular? Um em cada 5 assaltos ocorre em SP

Folha de São Paulo – Por Ítalo Lo Re e José Maria Tomazela  – 24/07/2025 | 09h00 – Atualização: 24/07/2025 | 10h08

A cada cinco roubos e furtos de celular registrados no Brasil, um acontece na cidade de São Paulo, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 24, no Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Apesar de reunir 5,6% da população brasileira, a capital paulista concentra 18,5% dos casos, com destaque para a atuação de gangues que agem de moto e de bicicleta.

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A capital paulista tem a 3ª maior taxa de casos do País: foram 1.525 registros de roubos e furtos de celular por 100 mil habitantes em São Paulo em 2024. Fica atrás apenas de São Luís, com 1.599, e Belém, com 1.452.

Segundo especialistas, o roubo de celular tem se tornado lucrativo diante da popularização do Pix e dos aplicativos de transferências. Mais do que o ganho do aparelho, o smartphone é usado para aplicar golpes e aumentar o valor desviado pelos ladrões.

O Anuário de Segurança se baseia em informações dadas por governos estaduais, Tesouro Nacional, polícias civil, militar e federal, entre outras fontes oficiais. A publicação é uma das mais principais referências de estatísticas no setor.

Quando se leva em conta todo o País, foram 917 mil registros de furtos ou roubos de celular no ano passado, queda de 13,4%. Ainda assim, a modalidade segue em patamar elevado, com 431 casos por 100 mil habitantes.

No balanço do Estado de São Paulo, houve redução 17,1% no total de celulares roubados ou furtados no Estado de São Paulo, com 287,8 mil ocorrências no ano passado – o Anuário não apresentou o comparativo por município.

“É um crime de grandes cidades”, diz Renato Sergio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Uma das razões disso, explica, são centrais de receptação de aparelhos funcionando “a pleno vapor” nos grandes centros.

“Antes, com celular que era furtado, levava uma hora para você ter os seus dados furtados. Hoje, em 10 minutos, você tem seus dados completamente invadidos”, exemplifica Lima.

Polícia não está conseguindo fazer prevenção e precisa investir em investigação

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Presidente do Fórum destaca que ações das forças de segurança falham no planejamento e uso da tecnologia.

“Para o criminoso que acabou de colocar uma arma na sua cabeça e pegar o aparelho, na esquina alguém espera por ele com um computador para desbloquear e começar a aplicar golpe”, acrescenta.

No ano passado, também segundo o Anuário, foram quase 2,2 milhões casos de estelionatos registrados no País, alta de 7,8% ante a taxa da modalidade no ano passado, com destaques para os golpes virtuais.

“São Paulo é o principal centro financeiro do País, portanto, o volume de aparelhos celulares registrados na cidade é muito superior à própria população. Ou seja, as pessoas, na média, têm mais do que um celular, e isso faz com que a cidade seja vista como um risco em potencial”, diz Lima.

Um dos pontos de atenção é que, no ano passado, isso levou a uma alta de 2,1% nos latrocínios (roubos seguidos de morte) no Estado, com 170 casos. O número vai na contramão da queda de 4,1% apresentada no País, que somou 965 casos.

Poucos celulares são recuperados

Pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública destacam que alguns Estados, a exemplo do Piauí, lançaram programas que favorecem a recuperação e a devolução dos celulares, mas boa parte deles ainda não conta com ações na área.

Como reflexo disso, dos 917 mil aparelhos subtraídos em meio a roubos e furtos no País, apenas 35,6 mil foram recuperados pelas polícias

Em relação ao perfil das ocorrências, 79,6% dos roubos de celulares em 2024 ocorreram em via pública, enquanto quase 30% dessas ocorrências (29,8%) se deram às quintas e sextas-feiras.

Entre lugares de abordagem comum, segundo registros policiais, estão portas de restaurantes, bares e lojas, além de pontos de ônibus ou locais de espera por carros de aplicativo.

No que diz respeito a horários, os picos são entre 6h e 8h e entre 19h e 20h. Quanto às vítimas, 59,1% são homens, e mais da metade (52%) está na faixa etária dos 20 aos 39 anos. Mais de 60% (63,1%) das vítimas são negras.

Já os registros criminais de receptação – que resultam de investigações para descobrir para onde vão os celulares, alianças e outros produtos roubados – caíram 7,3% no ano passado ante 2023. Essa redução, alerta Lima, é um ponto de atenção.

“É necessário articular o policiamento ostensivo com o investigativo, e não temos isso reforçado no País”, afirma. “Não tem como pensar a investigação criminal se não for com mudanças em termos de cooperação federativa”, continua.

Roubada na Faria Lima, ela agora recorre a carro blindado

Em abril, a diretora executiva Larissa Eloi, de 42 anos, estava em um táxi nas proximidades da Avenida Faria Lima, também na zona oeste de São Paulo, por volta das 19 horas, quando o vidro do veículo foi estourado. “Estava com o celular na mão, na altura do joelho. O aparelho foi levado em segundos, sem que eu sequer avistasse o criminoso.”

Apesar do susto e dos estilhaços, ela não se feriu. “Tive apoio imediato do taxista, que me ajudou a bloquear o celular. Registrei boletim de ocorrência online e fiz todos os bloqueios de segurança. O aparelho, no entanto, não foi recuperado”, diz.

Ela não teve outros prejuízos financeiros, mas conta que o trauma foi grande. “Por semanas tive dificuldade em circular pela cidade e, em alguns momentos, precisei usar aplicativos com carros blindados para me sentir segura. Trabalho presencialmente todos os dias na Faria Lima.”