Estadão – Por Cynthia Decloedt (Broadcast) – 30/05/2025 | 00h00
A resseguradora IRB (Re) emitiu R$ 33,7 milhões em Letra de Risco de Seguro (LRS), a primeira oferta deste tipo de papel, por meio da Andrina Sociedade Seguradora de Propósito Específico (SSPE), sua subsidiária integral. Em 2022, foi aprovada a lei que autoriza as seguradoras a emitirem tais papéis, mas somente agora o setor testa o mercado, por isso também o pequeno montante da oferta. A operação foi estruturada pelo Itaú BBA e distribuída junto a investidores privados.
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As LRS do IRB envolvem a securitização de riscos de seguro garantia de 14 das maiores empresas as quais a resseguradora está exposta. O conceito das LRS é de que as resseguradoras e seguradoras fiquem fora dos maiores riscos, ligados a catástrofes e eventos fora da curva, que têm probabilidade de ocorrência inferior a 0,1% dos sinistros, pois repassam esses riscos ao mercado de capitais. Com isso, liberam capital de seus balanços, abrindo espaço para ampliar a oferta de seguros.
“Estamos inaugurando uma nova modalidade de transferência de riscos no mercado local. A emissão das letras de seguro permite que riscos do mercado segurador sejam absorvidos pelo mercado de capitais”, diz o CEO do IRB (Re), Marcos Falcão. Ele diz ainda que os títulos abrem uma opção de captação no mercado.
Há demanda
O superintendente de Produtos Estruturados do Itaú BBA, Fausto Morais, diz que as letras atendem uma demanda de fundos de investimento por títulos descorrelacionados de riscos e ciclos macroeconômicos.
Além disso, oferecem retorno superior aos títulos do governo. Morais afirma que as LRS do IRB (Re) oferecem retorno equivalente ao CDI somado a prêmio de 2,5%. O papel é bullet, ou seja, só remunera no vencimento.